O mercado financeiro brasileiro registrou instabilidade nesta quinta-feira (23), com o dólar encerrando o dia acima da marca de cinco reais e a bolsa de valores apresentando queda. O movimento foi impulsionado por um agravamento do cenário internacional e pelo aumento da aversão ao risco, provocado por novas incertezas relacionadas à guerra no Oriente Médio. A moeda norte-americana fechou em alta de 0,62%, equivalente a 0,029 reais, sendo cotada a cinco reais e três milésimos. Simultaneamente, o Ibovespa, principal indicador da bolsa de valores do Brasil, recuou 0,78%, alcançando 191.378,43 pontos.
A trajetória do dólar, que inicialmente operava em baixa, inverteu-se ao longo da tarde, acompanhando uma tendência global de busca por ativos considerados mais seguros. Essa mudança foi catalisada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de autoridades iranianas, que geraram dúvidas sobre a continuidade de um possível cessar-fogo na região. Trump declarou que qualquer acordo com o Irã seria firmado apenas quando "apropriado" aos interesses norte-americanos, enquanto o governo iraniano adotou uma postura mais incisiva. Adicionalmente, relatos sobre a ativação de defesas aéreas no Irã contribuíram para elevar o clima de tensão.
A moeda estadunidense, que havia atingido a mínima de quatro reais e noventa e quatro centavos no início da tarde, chegou à máxima de cinco reais e dezoito milésimos por volta das dezesseis horas e quarenta minutos, diminuindo o ritmo de alta no fechamento do pregão. No mercado futuro, o contrato para o mês de maio registrou um avanço de 0,74%. No âmbito internacional, o índice que mede a força do dólar em relação a uma cesta de outras divisas também subiu, refletindo a cautela dos investidores. Dados divulgados pelo Banco Central indicaram uma saída líquida de três bilhões e duzentos milhões de dólares do Brasil em abril, até o dia 17, acentuando o fluxo negativo de capital desde o início do conflito no Oriente Médio.
O Ibovespa acompanhou o movimento de baixa observado nos mercados internacionais, encerrando o pregão em terreno negativo. O índice foi impactado pelas crescentes tensões no Oriente Médio e pela desvalorização das bolsas em Nova York. Durante o dia, o Ibovespa oscilou entre 190.929 pontos, na sua mínima, e 193.346 pontos, na sua máxima, registrando um volume financeiro de vinte e quatro bilhões e novecentos milhões de reais. O ambiente de maior risco foi intensificado por ações militares e estratégicas na região do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima crucial para o transporte global de petróleo. A apreensão de navios por parte do Irã e as ameaças militares proferidas pelos Estados Unidos elevaram ainda mais a preocupação dos investidores.
Os preços do petróleo registraram uma forte valorização, impulsionados pelo aumento das tensões geopolíticas e por temores quanto à oferta global do combustível. O barril do tipo Brent, referência nas transações internacionais, fechou o dia cotado a 105,07 dólares, apresentando uma alta de 3,1%. Já o petróleo WTI avançou 3,11%, atingindo 95,85 dólares. Ao longo do dia, os valores chegaram a subir aproximadamente cinco dólares por barril. A reação do mercado foi motivada por relatos de confrontos internos no Irã, ataques aéreos e pela renúncia de um negociador-chave nas conversas indiretas com os Estados Unidos. Além disso, o controle mais rigoroso exercido pelo Irã sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do fluxo global de petróleo, intensificou o receio de interrupções no abastecimento. A combinação de incerteza geopolítica, restrições na navegação e declarações divergentes de autoridades mantém os mercados financeiros sob alta volatilidade.