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Entenda as diferenças entre terras raras e minerais estratégicos

Conceitos, importância para a transição energética e o papel do Brasil em um cenário de crescente demanda global.

25/04/2026 às 17:14
Por: Redação

A crescente demanda por tecnologias de ponta e a necessidade de uma transição energética impulsionam o protagonismo global de elementos como terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos. Apesar de serem frequentemente tratados como sinônimos, esses conceitos possuem distinções importantes e desempenham papéis variados na economia e na geopolítica mundial.

 

Conforme explica o Serviço Geológico do Brasil (SGB), que é o órgão federal encarregado de avaliar o potencial mineral do país, os Elementos Terras Raras (ETR) correspondem a um grupo específico de dezessete elementos químicos presentes na tabela periódica. Este grupo inclui os quinze lantanídeos, como lantânio, cério, neodímio e disprósio, além do escândio e do ítrio.

 

Embora o nome sugira raridade, esses elementos não são escassos na natureza. Contudo, sua dispersão dificulta a exploração econômica. Eles são cruciais para o desenvolvimento de tecnologias avançadas, abrangendo aplicações em turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias, dispositivos eletrônicos e sistemas de defesa.

 

Os minerais estratégicos são definidos como aqueles essenciais para o progresso econômico de uma nação, destacando-se por sua relevância em produtos de alta tecnologia, defesa e na transição para fontes de energia limpas.

 

Já os minerais críticos são caracterizados pelos riscos associados ao seu suprimento. Esses riscos podem incluir a concentração geográfica da produção, a dependência de fornecedores externos, a instabilidade geopolítica das regiões produtoras, limitações tecnológicas na extração ou processamento, a possibilidade de interrupções no fornecimento e a dificuldade de encontrar substitutos adequados.

 

A classificação de um mineral como estratégico ou crítico varia entre os países e pode ser alterada ao longo do tempo. Fatores como avanços tecnológicos, novas descobertas geológicas, mudanças no cenário geopolítico e a evolução da demanda influenciam essa lista. Exemplos atuais comuns de minerais críticos incluem lítio, cobalto, grafita, níquel e nióbio.

 

Importante notar que as terras raras podem ser enquadradas como minerais críticos ou estratégicos, conforme o contexto específico. Isso significa que, embora todas as terras raras possam ter valor estratégico, nem todos os minerais estratégicos são terras raras.

 

O Potencial Mineral Brasileiro

 

O Brasil se destaca globalmente por suas reservas minerais. Segundo informações do SGB, o país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, totalizando aproximadamente 21 milhões de toneladas. Esse volume representa cerca de 23% das reservas globais, conforme dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

 

A maior parte das reservas de terras raras no território brasileiro está localizada nos estados de Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe, onde se encontram os principais tipos de depósitos com viabilidade econômica.

 

Em relação a outros minerais frequentemente classificados como críticos ou estratégicos globalmente, o Brasil possui as maiores reservas de nióbio do mundo, com 16 milhões de toneladas, correspondendo a 94% do total global. O país também ocupa a segunda posição em reservas de grafita, com 74 milhões de toneladas (26% do total), e a terceira em reservas de níquel, com 16 milhões de toneladas (12% do total).

 

Uma lista de minerais considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional foi estabelecida pela Resolução nº 2, de 18 de junho de 2021, do Ministério de Minas e Energia. Esta lista organiza os minerais em três categorias principais:

 

Os minerais que o Brasil precisa importar incluem enxofre, minério de fosfato, minério de potássio e minério de molibdênio.

 

Na categoria de minerais utilizados em produtos e processos de alta tecnologia, estão listados minério de cobalto, minério de cobre, minério de estanho, minério de grafita, minérios do grupo da platina, minério de lítio, minério de nióbio, minério de níquel, minério de silício, minério de tálio, minério de terras raras, minério de titânio, minério de tungstênio, minério de urânio e minério de vanádio.

 

Por fim, os minerais que oferecem vantagem comparativa e contribuem para o superávit na balança comercial são minério de alumínio, minério de cobre, minério de ferro, minério de grafita, minério de ouro, minério de manganês, minério de nióbio e minério de urânio.

 

Desafios na Cadeia Produtiva Global

 

A relevância desses recursos impulsionou uma acirrada disputa geopolítica em escala global. Atualmente, a China detém uma liderança expressiva no refino e na produção de terras raras, gerando apreensão em outras potências, como os Estados Unidos e a União Europeia, que buscam diversificar suas fontes de suprimento.

 

Neste contexto, o Brasil emerge como um participante de destaque. No entanto, especialistas ressaltam que o principal desafio do país transcende a mera extração mineral. A cadeia produtiva desses minerais envolve fases complexas, como o beneficiamento e o refino, setores que permanecem pouco desenvolvidos em território nacional.

 

Luiz Jardim Wanderley, professor de Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista na intersecção entre política, economia e mineração, avalia que, sem o desenvolvimento dessas etapas, o Brasil tende a persistir na importação de produtos com maior valor agregado.

 

“O Brasil mantém o mesmo padrão de dependência que teve ao longo de sua história. Foi assim com o ouro colonial, passando pelo ferro e até o petróleo. Servindo para o mundo como um país primário-exportador. A gente exporta muitos minerais e os consome muito pouco no mercado nacional”, explica Jardim Wanderley.
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Além das implicações econômicas, a exploração desses recursos acarreta questões ambientais e sociais significativas, com impactos consideráveis nas regiões onde ocorre a atividade.

 

“Não existe mineração sustentável. Toda mineração causa impactos ambientais pesados, como o comprometimento de recursos hídricos. Também causa pressão econômica nos municípios em que ocorre: aumento da pobreza, desigualdade e violência urbana. O que temos hoje é um modelo completamente insustentável de mineração”, avalia o geógrafo.
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“É possível fazer um modelo um pouco menos degradante. Mas, ainda assim, continuariam sendo feitos grandes buracos para extrair esses minérios. Continuariam a desmontar montanhas e a afetar cursos de água. Precisamos pensar com muita calma se realmente vale a pena, já que perdemos muitos recursos naturais e os efeitos socioambientais são significativos”, complementa.
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