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Alckmin projeta diálogo e "boa química" em encontro Lula-Trump

Vice-presidente ressalta relevância de laços com os EUA, principal investidor no Brasil, e aborda Desenrola e acordo Mercosul-UE.

04/05/2026 às 20:55
Por: Redação

O vice-presidente Geraldo Alckmin expressou nesta segunda-feira (4), em São Paulo, sua expectativa de que o próximo encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seja marcado pelo diálogo construtivo. A reunião bilateral está prevista para ocorrer em Washington ainda nesta semana.

 

Eu torço para que essa boa química que ocorreu entre o presidente Lula e o presidente Trump possa fortalecer ainda mais em benefício dos dois grandes países, duas grandes democracias do Ocidente.

 

O vice-presidente salientou a extrema importância deste encontro, especialmente considerando que os Estados Unidos representam o principal país investidor no Brasil.

 

Esse encontro é muito importante porque os Estados Unidos são o terceiro parceiro comercial do Brasil, atrás da China e da União Europeia. Mas ele é o primeiro investidor no Brasil. Então é [uma reunião] muito importante.

 

Alckmin também abordou a questão tarifária, defendendo a necessidade de uma relação comercial mais equilibrada. Ele considerou o "tarifaço" anterior sem fundamento, visto que os Estados Unidos não apresentam déficit na balança comercial com o Brasil, diferentemente do que ocorre com outras nações.

 

A questão tarifária, nós sempre defendemos que tivesse uma relação melhor. Aquele tarifaço não tinha sentido porque os Estados Unidos têm déficit na balança comercial com muitos países do mundo, mas não tem com o Brasil.

 

Para o vice-presidente, a reunião entre os líderes brasileiro e norte-americano trará benefícios mútuos, com potencial para discussões sobre diversos temas estratégicos, incluindo o setor de big techs e as terras raras. Ele ressaltou a natureza de "ganha-ganha" da parceria.

 

O presidente Lula é do diálogo. Toda orientação é no sentido de fortalecer a relação Brasil e Estados Unidos. É um ganha-ganha. Nós temos aqui mais de 3 mil, quase 4 mil empresas americanas no Brasil. Acho que estamos vivendo um outro momento, passando o tarifaço. E agora é fortalecer essa parceria, derrubar também barreiras não tarifárias.

 

Alckmin identificou oportunidades de negociação em áreas como big techs, terras raras e minerais estratégicos. Ele mencionou a implementação do programa Redata, focado em atrair data centers, o que, segundo ele, abrirá vastas possibilidades para investimentos recíprocos.

 

Programa Desenrola

 

Durante sua fala, Alckmin também comentou sobre o lançamento do novo Programa Desenrola, anunciado pelo presidente Lula na manhã desta segunda-feira. A iniciativa visa a renegociação de dívidas para a população com renda de até cinco salários mínimos, abrangendo débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

 

O Desenrola é necessário porque vai ajudar as famílias. O desconto pode chegar a 90%. E ele vai garantir juros mais baixos, além de atender também pequenas empresas.

 

Agenda na Suécia

 

Mais cedo, o vice-presidente participou de um evento na Câmara de Comércio Sueco-Brasileira, na capital paulista. Em seu discurso a empresários, Alckmin destacou a importância da assinatura do acordo entre os países do Mercosul e os integrantes da União Europeia.

 

Isso fortalece investimentos recíprocos, a integração produtiva e a complementaridade econômica.

 

A pesquisa Business Climate Survey 2026, divulgada hoje pela Câmara de Comércio Sueco-Brasileira, revelou dados importantes sobre a percepção das empresas suecas. Conforme o levantamento, 63% das companhias suecas que operam no Brasil preveem um aumento no abastecimento vindo da Europa, impulsionado pelo acordo Mercosul-União Europeia. Adicionalmente, 49% dessas empresas enxergam novas chances de ampliar suas exportações do Brasil para o continente europeu.

 

Realizada com 60 empresas suecas entre 30 de janeiro e 6 de março deste ano, a pesquisa também indicou que 73% delas registraram lucro em 2025 no país. A Câmara classificou esse resultado como “expressivo”, especialmente “diante de um cenário de desaceleração econômica e taxas de juros historicamente elevadas”. Outro ponto destacado foi que 46% das empresas suecas confirmaram planos de elevar seus investimentos no Brasil nos próximos doze meses.

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