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Anvisa e conselhos adotam plano conjunto para uso seguro de canetas emagrecedoras

Entidades estabelecem cooperação para controle, fiscalização e orientação sobre medicamentos GLP-1

16/04/2026 às 16:43
Por: Redação

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Conselho Federal de Medicina (CFM), Conselho Federal de Odontologia (CFO) e Conselho Federal de Farmácia (CFF) celebraram um acordo formalizando a intenção de atuar de maneira integrada para garantir o uso responsável e seguro de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras.

 

O objetivo do documento assinado entre as entidades é coibir riscos sanitários relacionados a práticas ou produtos irregulares, além de proteger a saúde da população do país. Segundo informações fornecidas pela Anvisa, a proposta prevê a realização de ações conjuntas, envolvendo troca de informações técnicas, alinhamento de diretrizes e iniciativas educativas.

 

Entre as medidas anunciadas estão o estímulo à prescrição consciente desses medicamentos, o aprimoramento dos mecanismos de notificação de eventos adversos e a implementação de campanhas informativas voltadas tanto para os profissionais da área de saúde quanto para o público em geral. Essas iniciativas integram o plano de combate às irregularidades na importação e manipulação desses medicamentos, plano esse divulgado pela agência reguladora no dia 6 deste mês.

 

As instituições expressaram, por meio do documento, preocupação com o uso ampliado de medicamentos desenvolvidos originalmente para tratar condições crônicas como diabetes e obesidade, que têm sido empregados em diferentes contextos clínicos e vêm ganhando popularidade.

 

“O documento destaca a preocupação das instituições com a ampliação do uso de medicamentos originalmente indicados para o tratamento de doenças crônicas, como diabetes e obesidade, que vêm ganhando popularidade em diferentes contextos clínicos”, ressaltou a Anvisa.


 

A carta de intenção também chama a atenção para o fato de que o crescimento da oferta e da procura pelas canetas emagrecedoras é acompanhado por práticas irregulares em diversas etapas, incluindo importação, manipulação, prescrição e dispensação. Segundo as entidades, essas irregularidades podem colocar a saúde dos pacientes em risco.

 

Novos grupos de trabalho para monitoramento

A Anvisa informou que, ainda nesta semana, serão publicadas portarias instituindo novos grupos de trabalho dedicados ao tema. Um desses grupos terá função consultiva, servindo de instância estratégica para acompanhar a execução do plano conjunto. Outro grupo será composto por representantes dos três conselhos com o intuito de promover discussões técnicas e qualificadas acerca dos medicamentos em questão.

 

Produtos apreendidos e restrições

Em ação recente, a Anvisa determinou a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, fabricados por uma empresa não identificada. A medida estabeleceu ainda a proibição de comercialização, distribuição, importação e uso desses produtos no território nacional.

 

“Amplamente divulgados na internet e vendidos como medicamentos injetáveis de GLP-1, os produtos são conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, mas não têm registro, notificação ou cadastro na Anvisa”, informou a agência.


 

A Anvisa destacou que esses produtos, por não possuírem regularização e terem origem desconhecida, não oferecem garantias quanto ao conteúdo ou à qualidade. A orientação é para que não sejam utilizados sob nenhuma circunstância.

 

Operação na fronteira e apreensão de medicamentos

Também nesta semana, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus proveniente do Paraguai, na cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, que transportava canetas emagrecedoras e anabolizantes contrabandeados.

 

O veículo estava sob monitoramento em razão de suspeitas de transporte ilegal de mercadorias. No momento da abordagem, havia quarenta e dois passageiros no ônibus, todos encaminhados para a Cidade da Polícia.

 

Entre os passageiros, um casal que embarcou em Foz do Iguaçu, no estado do Paraná, foi detido em flagrante, portando grande quantidade de produtos procedentes do Paraguai para venda irregular no Brasil, incluindo anabolizantes e mil frascos de canetas emagrecedoras contendo a substância tirzepatida.

 

Riscos e vigilância sobre eventos adversos

Em fevereiro deste ano, a Anvisa já havia emitido um alerta relacionado aos perigos do uso inadequado de canetas emagrecedoras. O alerta contemplava medicamentos como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida.

 

Naquele momento, a agência observou que, apesar de o risco estar explicitado nas bulas dos medicamentos aprovados no Brasil, houve crescimento nas notificações de eventos adversos tanto em âmbito nacional quanto internacional, o que levou à intensificação das orientações de segurança.

 

“Conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado.”


 

Segundo a Anvisa, o acompanhamento médico é fundamental devido ao potencial de ocorrência de efeitos colaterais graves, como a pancreatite aguda. Em casos mais severos, esse quadro pode evoluir para formas necrotizantes e até fatais.

 

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