Representantes do Ministério das Comunicações e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) estão presentes até quarta-feira, 22, em Las Vegas, nos Estados Unidos, participando da maior exposição mundial de tecnologia voltada para mídia, audiovisual e radiodifusão, que acontece no cenário do NAB Show, promovido pela associação de radiodifusores norte-americana.
No decorrer do evento, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, anunciou que o governo federal avalia a possibilidade de utilizar recursos provenientes do Edital 5G para fornecer kits de recepção da tecnologia de TV digital 3.0 às famílias com menor poder aquisitivo. O montante a ser destinado refere-se às contrapartidas de investimento previstas para ampliação da conectividade em rede exclusiva do Estado.
Segundo o ministro, esta ação não se resume a um programa social relevante, mas também configura uma iniciativa estruturante para o setor de telecomunicações no país.
“Não é apenas uma medida social de alta relevância, é também uma estratégia estruturante.”
O ministro acrescentou que garantir o acesso à TV 3.0 proporciona aceleração da adoção tecnológica, movimenta o mercado e estabelece condições para o desenvolvimento sustentável de todo o ecossistema.
“Acelerar a adoção, estimular o mercado e criar as condições para que todo ecossistema se desenvolva de forma sustentável.”
Outro ponto ressaltado pelo ministro foi o esforço do governo para transformar a televisão em um instrumento eficaz de alerta à população, com capacidade de segmentação geográfica e possibilidade de ativação automática dos aparelhos, permitindo que informações importantes sejam transmitidas aos cidadãos de maneira oportuna.
Durante a feira, a presença do ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, foi registrada no dia 21 de abril de 2026, conforme imagens divulgadas pelo Ministério.
Em pronunciamento, Siqueira Filho afirmou que a TV 3.0 representa um avanço ao permitir a integração com serviços digitais governamentais, resultando na transformação da televisão em uma plataforma de acesso a políticas públicas para cidadãos que ainda enfrentam dificuldades com outras formas de tecnologia.
O modelo de implementação da TV 3.0 foi estabelecido em decreto presidencial publicado em agosto de 2025, prevendo que o novo sistema começará a funcionar no ano seguinte.
O ministro acredita que a tecnologia vai ampliar o alcance estatal e fortalecer processos de inclusão social, além de modificar as experiências de consumo de conteúdo televisivo pela população.
“Estamos falando de personalização, uma TV para cada brasileiro. Pela primeira vez, a televisão aberta poderá oferecer experiências adaptadas ao perfil do usuário, sem perder a sua característica essencial de meio de comunicação em massa”, ponderou.
Entre as inovações, a TV 3.0 permitirá a integração com sistemas de alerta de emergência, possibilitando a emissão de avisos automáticos direcionados para regiões específicas, sem depender de conexão de banda larga para funcionamento dos aparelhos.
No ambiente do NAB Show, Siqueira Filho enfatizou que a chegada da TV 3.0 abrirá oportunidades para a criação de novos modelos de negócios no segmento, como a publicidade segmentada baseada em dados e a incorporação do comércio eletrônico diretamente na experiência televisiva.
A expectativa do governo é que, durante a Copa do Mundo, prevista para começar em 11 de junho, já sejam iniciados testes para transmissão com a nova tecnologia de TV 3.0. O ritmo de implantação será definido conforme as estratégias de cada emissora, enquanto o papel do Estado será manter um ambiente regulatório estável, previsível e atraente para investidores.
O diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), David Butter, destacou que o processo de adoção da TV 3.0 no Brasil tem chamado a atenção internacionalmente, tanto pelas escolhas tecnológicas envolvidas quanto pelas opções de conteúdo e regulamentação desenvolvidas.
“O Brasil se posiciona mais uma vez para liderar.”
Butter ressaltou que a televisão aberta brasileira possui há décadas escala e relevância, e agora, com a chegada da TV 3.0, serão agregadas novas dimensões de personalização, regionalização e oferta de serviços públicos.
“A TV aberta brasileira tem, há décadas, escala e relevância. A TV 3.0 chega agora e acrescenta camadas de personalização, regionalização e, sobretudo, de oferta de serviços públicos.”
O diretor de Operações, Engenharia e Tecnologia da EBC, Bráulio Ribeiro, sublinhou a atuação da empresa pública nos trabalhos de implantação da TV 3.0 e também na promoção do modelo brasileiro durante o evento internacional, reafirmando o protagonismo da comunicação pública nas discussões sobre o tema e nos testes realizados.
"Reforça a importância e o protagonismo que a comunicação pública brasileira tem tido nas discussões e na condução dos testes da TV 3.0, além de ser uma oportunidade de divulgar a plataforma comum da comunicação pública e dos serviços de governo como uma grande inovação da TV 3.0 no Brasil"