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Desemprego atinge 6,1% no primeiro trimestre e registra menor índice histórico

Taxa de desocupação cresce em relação ao trimestre anterior, mas segue em patamar recorde para o início do ano.

30/04/2026 às 23:29
Por: Redação

No primeiro trimestre do ano, a taxa de desemprego chegou a 6,1%, representando o menor índice de desocupação já apurado para este período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012. Apesar do aumento em relação ao quarto trimestre de 2025, quando o percentual era de 5,1%, o resultado indica uma melhora significativa frente ao primeiro trimestre de 2025, que havia registrado desemprego de 7%.

 

Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que, no trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026, o desemprego foi de 5,8%. Segundo o IBGE, não é recomendado comparar meses consecutivos devido à sobreposição dos dados coletados. Por esse motivo, a análise preferencial é feita em relação ao último trimestre completo do ano anterior.

 

Entre janeiro e março de 2026, cerca de 6,6 milhões de pessoas buscavam uma ocupação, compondo a parcela considerada desocupada da população. Este grupo apresenta um aumento de 19,6% (1,1 milhão de pessoas a mais) em relação ao período de outubro a dezembro de 2025, mas é 13% menor do que o registrado no mesmo período de 2025.

 

No mesmo recorte, o número de brasileiros ocupados somou 102 milhões, representando uma redução de 1 milhão comparado ao trimestre imediatamente anterior, mas uma elevação de 1,5 milhão frente ao primeiro trimestre do ano passado.

 

Variação do emprego por atividade econômica

 

De acordo com o levantamento do IBGE, os dez grupos de atividades econômicas pesquisados não apresentaram aumento no número de trabalhadores ocupados neste início de ano. Entre os segmentos, três tiveram queda no contingente de ocupados: comércio, com retração de 1,5% (menos 287 mil pessoas); administração pública, com redução de 2,3% (menos 439 mil trabalhadores); e serviços domésticos, onde a diminuição chegou a 2,6% (menos 148 mil pessoas).

 

Sazonalidade impacta mercado de trabalho

 

A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, explicou que as características sazonais influenciaram o comportamento do mercado de trabalho no primeiro trimestre. Ela afirmou que é comum haver redução do número de trabalhadores em setores como comércio, devido à tendência de queda nesse período, além da dinâmica de encerramento de contratos temporários, sobretudo nas áreas de educação e saúde do setor público municipal.

 

“A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento; seja devido à tendência de recuo no comércio nesse período do ano; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporário nas atividades de educação e saúde no setor público municipal.”

 

Queda na informalidade e estabilidade em vínculos formais

 

Embora o índice de desemprego tenha aumentado em relação ao trimestre anterior, houve diminuição na taxa de informalidade. Em março, 37,3% dos trabalhadores estavam em situação informal, o equivalente a 38,1 milhões de pessoas. No final de 2025, esse percentual era de 37,6%, e no início de 2025, atingia 38%.

 

No setor privado, o total de empregados com carteira assinada alcançou 39,2 milhões, estabilidade no trimestre e alta de 1,3% (504 mil pessoas a mais) em relação ao mesmo período do ano anterior. Em contrapartida, o número de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado diminuiu 2,1% (menos 285 mil pessoas), totalizando 13,3 milhões, com estabilidade estatística na comparação anual.

 

O contingente de pessoas trabalhando por conta própria manteve-se estável no trimestre, chegando a 26 milhões. Considerando o primeiro trimestre de 2025, o crescimento foi de 2,4%, com acréscimo de 607 mil trabalhadores nessa condição.

 

Metodologia da pesquisa e panorama do emprego formal

 

A Pnad Contínua do IBGE investiga a situação do mercado de trabalho brasileiro para pessoas com 14 anos ou mais, independentemente da forma de ocupação: com ou sem carteira assinada, temporário ou por conta própria. A condição de desocupação é atribuída apenas a quem procurou uma vaga nos 30 dias anteriores à pesquisa. O levantamento é realizado em 211 mil domicílios distribuídos por todos os estados e no Distrito Federal.

 

O IBGE divulga os resultados da Pnad logo após a publicação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), feito pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O Caged monitora somente as vagas com carteira assinada. Segundo esse levantamento, em março houve um saldo positivo de 228 mil postos formais. No acumulado de 12 meses, o país registrou a criação de 1,2 milhão de empregos formais.

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