O mercado global de petróleo reagiu com uma alta de 5% no preço do barril de Brent nesta segunda-feira (4), em meio a uma intensa disputa de narrativas entre Irã e Estados Unidos sobre a navegação no estratégico Estreito de Ormuz, por onde transita aproximadamente 20% do volume mundial de petróleo.
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã emitiu um comunicado oficial negando veementemente as informações divulgadas por Washington:
“Nenhum navio comercial ou petroleiro passou pelo Estreito de Ormuz nas últimas horas, e as alegações das autoridades americanas são infundadas e completamente falsas”.
Contrariando a versão iraniana, o Comando Central dos EUA, responsável pelas operações militares na região do Oriente Médio, havia informado, cerca de duas horas antes da negativa iraniana, que embarcações de guerra americanas realizaram a travessia do estreito, escoltando dois navios comerciais de bandeira estadunidense.
Essa ação, segundo o comunicado militar dos EUA, faz parte de um plano detalhado pelo presidente Donald Trump no domingo (3), visando restaurar a livre navegação comercial em Ormuz. O documento americano afirmava:
“Como primeiro passo, dois navios mercantes de bandeira americana atravessaram com sucesso o Estreito de Ormuz e estão a caminho de sua jornada em segurança”.
A missão de escolta dos Estados Unidos envolve uma significativa mobilização de recursos, que compreende navios de guerra equipados com mísseis guiados, um contingente de mais de 100 aeronaves, tanto terrestres quanto marítimas, e um efetivo de 15 mil militares.
Em resposta às alegações americanas, a Guarda Revolucionária do Irã divulgou um mapa detalhando uma nova área de controle marítimo sobre o Estreito de Ormuz. Este mapa estabelece duas linhas de segurança que o Irã considera como “novas fronteiras de controle” da passagem estratégica.
As coordenadas indicam, ao sul, uma linha que se estende entre o Monte Mubarak, localizado no Irã, e a região sul de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. No lado oeste, a linha de controle proposta conecta a ponta da Ilha de Qeshm, pertencente ao Irã, a Umm Al Quwain, também nos Emirados Árabes Unidos.
A escalada de tensões e a “guerra de narrativas” em torno da navegação pelo Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital por onde circula cerca de um quinto do petróleo mundial, provocaram uma imediata valorização no mercado. O preço do barril do petróleo tipo Brent, uma das principais referências globais, registrou um aumento de 5% nesta segunda-feira, superando a marca de 114 dólares.
Ao divulgar o plano para restabelecer o fluxo comercial na área, o presidente Donald Trump fez uma advertência direta ao Irã. Em uma publicação em rede social, ele afirmou que qualquer obstáculo ao “processo” de navegação resultaria em uma resposta contundente:
“Essa interferência terá, infelizmente, de ser combatida com firmeza”.
Por outro lado, as autoridades iranianas mantêm a posição de que a reabertura do Estreito de Ormuz não pode ser determinada por meio de plataformas digitais, mas sim através de um processo de negociação. Para Teerã, essa negociação deve levar a um fim permanente do conflito, abrangendo inclusive a frente de batalha no Líbano.
O major-general Ali Abdollahi, uma figura proeminente entre os comandantes iranianos, emitiu um alerta a navios comerciais e petroleiros:
“a se absterem de qualquer tentativa de passar pelo Estreito de Ormuz sem coordenação com as Forças Armadas [do Irã] estacionadas lá para não colocar em risco sua segurança”.
A região tem sido palco de incidentes recentes, incluindo relatos de ataques a dois navios comerciais no Estreito de Ormuz em um período de 24 horas. A Marinha iraniana, por sua vez, declarou ter bloqueado a passagem de navios com bandeiras estadunidense e israelense pelo estreito e afirmou ter atingido uma embarcação de guerra dos EUA no Golfo de Omã, alegação que os militares americanos refutam, negando qualquer impacto.