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Lula critica guerras, defende pobres e cobra ação da ONU em Barcelona

Presidente brasileiro aponta impacto global dos conflitos e da desinformação, pedindo regulação de plataformas digitais e reforma do Conselho de Segurança.

18/04/2026 às 17:11
Por: Redação

Em um discurso contundente proferido na manhã deste sábado (18) em Barcelona, na Espanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou veementemente os conflitos armados em andamento e defendeu o fortalecimento do multilateralismo. O pronunciamento ocorreu durante a quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia, evento que o líder brasileiro participa em meio a uma agenda de compromissos por três países europeus.

 

Lula enfatizou que as consequências negativas das guerras recaem desproporcionalmente sobre as populações mais vulneráveis do mundo.

 

"O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?", questionou.

 

O presidente ressaltou que as nações enfrentam desafios mais urgentes e que o cenário global "não está precisando de guerra". Ele enumerou problemas humanitários críticos, como os mais de 760 milhões de pessoas que sofrem de fome, os milhões de indivíduos analfabetos e as milhões de mortes causadas pela falta de vacinas contra a covid-19.

 

Observando que o período atual registra o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, Lula instou a Organização das Nações Unidas (ONU) a tomar medidas coordenadas.

 

"Precisamos exigir que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir aos cinco membros do Conselho de Segurança", afirmou.

 

O líder brasileiro dirigiu críticas a algumas das principais guerras em curso, mencionando especificamente a invasão da Ucrânia pela Rússia, a devastação da Faixa de Gaza por Israel e o conflito dos Estados Unidos contra o Irã, na região do Oriente Médio.

 

Lula argumentou que nenhum chefe de Estado, por mais poderoso que seja seu país, tem o direito de impor regras a outras nações. Ele reiterou que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU devem reavaliar suas condutas e que decisões importantes não podem ser tomadas sem consulta à entidade.

 

"Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum. E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar seu comportamento. Nós não podemos levantar todo dia de manhã, e dormir todo dia a noite, com tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra. Ou seja, e todos eles tomam decisão sem consultar a ONU, da qual são eles membros e fazem parte do conselho", prosseguiu Lula.

 

O presidente expressou desapontamento com o silêncio internacional diante desses cenários e enfatizou que a efetividade da democracia nas Nações Unidas depende diretamente do engajamento dos países-membros. Ele afirmou que "Fortalecer o multilateralismo depende de nós".

 

Regulação Global de Plataformas Digitais

 

Na continuidade de sua fala, o presidente Lula abordou o papel das plataformas digitais na desestabilização política de diversas nações. Ele solicitou que a própria ONU assuma a liderança nas discussões sobre a criação de normas e regras compartilhadas entre os países para essa área.

 

"A verdade, nua e crua, é que a mentira ganhou da verdade. Esse é o dado concreto. Para mentir, você não tem que explicar. Para se justificar, você tem que se explicar", afirmou.

 

Lula reiterou a necessidade de a ONU agir também em relação ao tema das plataformas digitais.

 

"Ela precisa funcionar para garantir, por exemplo, que as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro, para todo mundo. Não pode o presidente da República interferir na eleição de um país interferir na eleição de outro, pedir voto para outro. Cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial? Esse é um tema que nós precisamos discutir e nos fazer ouvir. E o cenário que temos que brigar é dentro das Nações Unidas", completou Lula.

 

O Fórum Democracia Sempre é uma iniciativa estabelecida em 2024, que conta com a participação dos governos do Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. O evento em Barcelona, coordenado pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, também contou com a presença dos presidentes Yamandú Orsi, do Uruguai; Gustavo Petro, da Colômbia; Cyril Ramaphosa, da África do Sul; Claudia Sheinbaum, do México; e do ex-presidente do Chile, Gabriel Boric.

 

Compromissos Internacionais na Europa

 

Após cumprir sua agenda na Espanha, o presidente Lula seguirá para a Alemanha neste domingo (19). Lá, ele participará da Hannover Messe, reconhecida como a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que nesta edição presta uma homenagem ao Brasil. Durante sua estadia na Alemanha, o presidente brasileiro também terá um encontro com o chanceler Friedrich Merz.

 

A viagem de Lula pela Europa será finalizada no dia 21, com uma breve visita de Estado a Portugal. Em Lisboa, o presidente tem previstos encontros com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro.

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