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Copa 2026 eleva risco de sarampo no Brasil, adverte Ministério da Saúde

Fluxo de torcedores para EUA, Canadá e México, que têm surtos ativos, pode reintroduzir a doença, apesar de o país estar livre da circulação endêmica.

23/04/2026 às 20:27
Por: Redação

O Ministério da Saúde emitiu um alerta sobre a possibilidade iminente de reintrodução e disseminação do sarampo no território brasileiro. A preocupação se deve ao intenso movimento de viajantes que se dirigirão à Copa do Mundo de 2026, marcada para começar em junho, cujos países-sede – Estados Unidos, Canadá e México – enfrentam surtos ativos da doença.

 

Uma nota técnica detalha o cenário de alta transmissibilidade do sarampo no continente americano e o grande volume de cidadãos brasileiros que viajarão para as nações anfitriãs do evento, assim como para outras regiões com focos da infecção.

 

“Há um risco iminente de reintrodução do sarampo no Brasil após o retorno desses viajantes ou da chegada de estrangeiros, porventura infectados”.


 

O documento ministerial enfatiza a importância da vacinação contra o sarampo, com o objetivo de proteger tanto os viajantes quanto a população que permanece no Brasil. Os Estados Unidos, o Canadá e o México registram um número elevado de casos e mantêm surtos ainda ativos da enfermidade.

 

Conforme o Departamento do Programa Nacional de Imunizações, a vacinação em tempo hábil para os viajantes e uma vigilância eficaz dos serviços de saúde representam as únicas estratégias capazes de diminuir o risco de o vírus ser reintroduzido no país.

 

A nota ainda salienta a necessidade de estados, municípios e profissionais da área da saúde priorizarem a atualização dos cartões de vacinação e o monitoramento rigoroso de todos os casos suspeitos. Tais ações são cruciais para que o Brasil preserve seu status de nação livre da circulação endêmica do vírus do sarampo.

 

Impacto da Copa do Mundo 2026

 

A Copa do Mundo de 2026 ocorrerá entre os dias 11 de junho e 19 de julho, com partidas programadas para diversas cidades nos Estados Unidos, México e Canadá. Estima-se que milhões de pessoas participem do evento, incluindo uma vasta quantidade de viajantes internacionais vindos de distintas partes do mundo.

 

O Ministério da Saúde apontou no documento que eventos de grande porte e alcance internacional, como a Copa, provocam uma significativa mobilidade populacional e uma intensa circulação de pessoas entre países e continentes. Este movimento pode favorecer a disseminação de doenças transmissíveis.

 

Sarampo nas Américas e no Mundo

 

O Ministério da Saúde define o sarampo como uma doença viral aguda, altamente contagiosa e com potencial de gravidade. Sua transmissão ocorre principalmente por via aérea, através de gotículas respiratórias liberadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O vírus tem a capacidade de se espalhar rapidamente em ambientes com grande aglomeração de pessoas.

 

O alerta ministerial destaca que o sarampo mantém uma ampla distribuição global, com surtos persistentes em todos os continentes. Em 2025, foram contabilizados 248.394 casos confirmados mundialmente, o que demonstra que a circulação viral continua sendo uma ameaça crítica à saúde pública.

 

Este cenário é agravado pela existência de “bolsões” de indivíduos suscetíveis, resultantes da hesitação vacinal e de falhas na cobertura de imunização em diversas regiões.

 

No que tange à região das Américas, o documento sinaliza um aumento considerável na incidência da doença, com milhares de casos de sarampo, especialmente nos países que sediarão a Copa.

 

No Canadá, a epidemia de sarampo em 2025 registrou 5.062 casos, culminando na perda da certificação de país livre da doença. Em 2026, foram notificados 124 casos, indicando que a área permanece com circulação endêmica.

 

Uma situação similar foi observada no México, que passou de sete casos em 2024 para 6.152 casos em 2025, e 1.190 casos apenas em janeiro de 2026, de acordo com dados preliminares.

 

Os Estados Unidos, por sua vez, reportaram 2.144 casos em 2025 e 721 casos somente em janeiro de 2026.

 

Atualmente, os três países estão com surtos ativos de sarampo, o que significa que há uma transmissão contínua do vírus. Esse agravamento resultou na perda do status da região das Américas como zona livre de transmissão endêmica em novembro de 2025.

 

Brasil Mantém Status Livre

 

Apesar do contexto regional preocupante, o Brasil conseguiu manter o status de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo, uma conquista alcançada em 2024.

 

Em 2025, o país registrou 3.952 casos suspeitos da doença. Desses, 3.841 foram descartados, 46 ainda estão em investigação e 38 foram confirmados. Entre os casos confirmados, dez foram importados, 25 foram classificados como relacionados à importação e três tiveram a fonte de infecção desconhecida.

 

Um dado considerado alarmante pelo ministério é que 94,7% dos casos confirmados em 2025, o que corresponde a 36 de 38, ocorreram em indivíduos que não possuíam histórico vacinal.

 

Em 2026, até meados de março, o Brasil contabilizou 232 casos suspeitos e confirmou dois: uma criança de seis meses de idade, residente em São Paulo e com histórico de viagem à Bolívia; e uma jovem de 22 anos, moradora do Rio de Janeiro, com a investigação ainda em andamento. Ambas as pessoas não estavam vacinadas.

 

“O cenário epidemiológico atual reforça a vulnerabilidade do Brasil frente à reintrodução do vírus. A combinação de surtos ativos em países vizinhos, fluxo contínuo de viajantes, brasileiros não vacinados e a confirmação de casos importados faz com que o risco de casos e surtos de sarampo seja alto.”


 

Recomendações de Vacinação

 

A nota técnica reafirma que a vacinação é a principal medida para a prevenção e o controle do sarampo. A imunização é oferecida de forma gratuita pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), por meio das vacinas tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, e tetraviral, que adiciona a proteção contra varicela (catapora).

 

Dados da pasta indicam que, no Brasil, a cobertura da primeira dose (D1) da vacina alcançou 92,66% em 2025, aproximando-se da meta nacional de 95%. A homogeneidade, um indicador da qualidade da cobertura em diferentes localidades, atingiu 64,56%, com 3.596 municípios alcançando a meta de 95%.

 

Já a cobertura da segunda dose (D2) chegou a 78,02%, com uma homogeneidade de 35,24%, e 1.963 municípios cumpriram a meta de 95%.

 

Esses resultados evidenciam a persistência de pessoas não vacinadas contra o sarampo no Brasil. Dessa forma, o risco de reintrodução do vírus aumenta com o retorno de viajantes brasileiros infectados ou com a chegada de estrangeiros portadores do vírus, o que pode levar a surtos e epidemias de sarampo.

 

Para os viajantes internacionais, a orientação é verificar o cartão de vacina e procurar uma unidade de saúde para atualizar a situação vacinal contra o sarampo antes da viagem, seguindo o esquema detalhado:

 

  • Crianças de 6 a 11 meses e 29 dias: Devem receber a dose zero da vacina, com um mínimo de 15 dias de antecedência ao embarque, para permitir a produção de anticorpos.
  • Crianças de 12 meses a adultos de 29 anos: Para quem necessita do esquema vacinal completo de duas doses, o ideal é que a primeira dose seja administrada, no mínimo, 45 dias antes da viagem. Isso permite tempo hábil para receber a segunda dose (30 dias após a primeira) e o período adequado para a formação de anticorpos, que leva aproximadamente 15 dias.
  • Adultos de 30 a 59 anos: Para aqueles que precisam receber o esquema vacinal com uma dose, é necessário iniciar a imunização, no mínimo, 15 dias antes do embarque, para que haja tempo suficiente para a soroconversão.

 

O ministério frisou que, mesmo em situações onde a vacina não pôde ser administrada no período ideal, ainda é recomendável que o viajante receba ao menos uma dose antes de embarcar, inclusive no próprio dia da partida.

 

Risco de Reintrodução é Real

 

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), afirmou que o risco de reintrodução do sarampo no Brasil é concreto.

 

“Justamente no momento em que nós recuperamos o status de zona livre do sarampo, estamos vivenciando um grande surto nas Américas, principalmente na América do Norte. Mas também há casos na Bolívia, na Argentina e no Paraguai”.


 

Kfouri explicou que o deslocamento frequente de pessoas naturalmente torna o risco de reintrodução da doença uma realidade. Ele complementou que “a chance de alguém entrar com sarampo aqui é grande”.

 

Para o vice-presidente da SBIm, o Brasil deve manter sua população imunizada, funcionando como uma barreira contra a transmissão do vírus, e também implementar uma vigilância altamente ativa para a detecção precoce de casos.

 

Ele mencionou que, em 2025, houve 35 casos importados, mas estes não resultaram em uma cadeia de transmissão da doença. “Portanto, a gente só teve esses casos. Não temos transmissão mantida entre nós”, esclareceu.

 

Kfouri salientou a importância da capacitação de todos os profissionais de saúde, não apenas para o reconhecimento rápido da doença, mas também para a implementação de ações imediatas como isolamento, bloqueio e coleta de exames.

 

Ele aconselhou que, neste período de grandes aglomerações, haja um cuidado ainda maior, recomendando que as pessoas viajem com a vacinação em dia e fiquem atentas aos sintomas ao retornar dos locais.

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