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Pleito local inclui Gaza após 20 anos e testa clima político palestino

Votação no território devastado e na Cisjordânia ocorre em meio a desafios políticos e humanitários, com baixa participação em algumas regiões.

26/04/2026 às 04:13
Por: Redação

Neste sábado (25), a população palestina participou de eleições locais que, pela primeira vez em duas décadas, abrangeram a Faixa de Gaza. O pleito é considerado um termômetro do panorama político em um momento em que o governo israelense intensifica esforços para inviabilizar a formação de um Estado palestino independente.

 

A Autoridade Palestina, com sede na Cisjordânia, expressou a expectativa de que a inclusão da cidade de Deir al-Balah, na Faixa de Gaza, fortaleça sua reivindicação de autoridade sobre o território, do qual foi expulsa pelo Hamas em 2007.

 

A oportunidade de votar foi bem recebida por alguns moradores de Gaza, que enfrentam a luta diária para suprir suas necessidades básicas no enclave severamente afetado pela guerra.

 

Como palestino e filho da Faixa de Gaza, sinto orgulho de que, após esta guerra, o processo democrático esteja retornando.

A declaração foi feita por Mamdouh al-Bhaisi, um eleitor de 52 anos, em uma seção eleitoral localizada em Deir al-Balah.

 

Contudo, a participação popular foi considerada baixa. Dados oficiais indicaram um comparecimento de 22,7% em Deir al-Balah e 53,44% na Cisjordânia. As autoridades informaram que a apuração dos votos teve início imediatamente, e os resultados preliminares são aguardados para este sábado ou domingo.

 

Hani Al-Masri, analista político atuante na Cisjordânia, observou que a reduzida adesão em Gaza reflete a crise humanitária em curso, que desviou o foco da população da política para a sobrevivência. Além disso, Masri pontuou que a participação na Cisjordânia também foi influenciada por um boicote organizado por algumas facções políticas.

 

Ao depositar seu voto em uma seção eleitoral próxima a Ramallah, na área de Al-Bireh, o presidente palestino Mahmoud Abbas assegurou que, em momento oportuno, eleições serão estendidas a toda a Faixa de Gaza, desde que as condições permitam.

 

Gaza é parte inseparável do Estado da Palestina. Portanto, trabalhamos por todos os meios para garantir que as eleições ocorram em Deir al-Balah, a fim de afirmar a unidade das duas partes do país.

O Futuro da Governança em Gaza

 

Desde que o cessar-fogo entre o Hamas e Israel, mediado pelos Estados Unidos, entrou em vigor em outubro, as negociações intermitentes lideradas pelos EUA têm demonstrado pouco avanço em relação a um acordo que estabeleça a supervisão internacional sobre Gaza.

 

Governos europeus e árabes manifestam amplo apoio ao eventual restabelecimento da governança da Autoridade Palestina em Gaza, concomitantemente à criação de um Estado palestino soberano. Este Estado incluiria Gaza, Jerusalém Oriental e a Cisjordânia, onde a Autoridade Palestina já exerce um autogoverno limitado sob a ocupação israelense.

 

Diplomatas ocidentais sugeriram que as eleições locais podem representar um passo crucial em direção às primeiras eleições nacionais em quase duas décadas, além de impulsionar reformas para aprimorar a transparência e a responsabilização, iniciativas que, segundo a Autoridade Palestina, já estão em andamento.

 

Esperamos que o procedimento realizado hoje seja coroado com eleições legislativas e presidenciais.

Essa esperança foi expressa por Munif Treish, um dos candidatos na Cisjordânia.

 

A votação deste sábado representa o primeiro evento eleitoral de qualquer natureza em Gaza desde 2006 e as primeiras eleições palestinas desde o início do conflito em Gaza, há mais de dois anos, desencadeado por um ataque transfronteiriço do Hamas contra comunidades no sul de Israel. As últimas eleições municipais na Cisjordânia foram realizadas há quatro anos.

 

Desafios Econômicos e a Posição de Israel

 

A Autoridade Palestina tem enfrentado sérias dificuldades financeiras para honrar o pagamento de salários, uma vez que Israel retém as receitas fiscais que arrecada em nome da Autoridade, o que eleva o receio de um colapso econômico. Israel justifica a retenção desses fundos como uma forma de protesto contra os pagamentos de assistência social destinados a prisioneiros e familiares de indivíduos mortos por suas forças, alegando que tais repasses incentivam ataques.

 

Adicionalmente, o governo israelense tem implementado medidas que facilitam a aquisição de terras na Cisjordânia por colonos. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, reiterou publicamente: "Continuaremos a matar a ideia de um Estado palestino".

 

Em Deir al-Balah, que sofreu menos danos em comparação com outras cidades de Gaza desde o ataque de Israel em 2023, faixas exibindo listas de candidatos foram afixadas em diversos edifícios. O comitê eleitoral palestino apontou a vasta destruição como um dos principais motivos que impediram a realização da votação nas demais áreas da Faixa de Gaza. Atualmente, mais da metade do território de Gaza está sob controle israelense, enquanto o restante permanece sob o domínio do Hamas.

 

O Impacto do Boicote do Hamas

 

Algumas facções palestinas optaram por boicotar as eleições em protesto contra a exigência da Autoridade Palestina de que os candidatos endossassem seus acordos, os quais incluem o reconhecimento do Estado de Israel.

 

O Hamas, que governa Gaza há quase duas décadas, não apresentou formalmente nenhum candidato. No entanto, uma das listas participantes na eleição de Deir al-Balah foi percebida por moradores e analistas como alinhada ao grupo. Segundo analistas, o desempenho dos candidatos associados ao grupo militante poderá servir como um indicativo de sua popularidade. A maioria dos candidatos, tanto na Cisjordânia quanto na Faixa de Gaza, concorre pelo Fatah, o principal movimento político que apoia a Autoridade Palestina, ou como independentes.

 

O Hamas, por sua vez, garantiu que respeitará os resultados do pleito. Fontes palestinas, em declaração à Reuters antes da votação, informaram que policiais civis do grupo foram mobilizados para assegurar a proteção das seções eleitorais em Gaza.

 

O Comitê Central Eleitoral Palestino divulgou que mais de um milhão de palestinos estavam aptos a votar, incluindo cerca de 70 mil residentes na Faixa de Gaza.

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