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Papa Leão XIV condena líderes mundiais por guerras e uso político da religião

Pontífice defende redirecionamento de verbas de guerra para saúde e educação e condena manipulação religiosa em conflitos.

16/04/2026 às 16:47
Por: Redação

Durante agenda oficial em Camarões nesta quinta-feira, 16, o papa Leão XIV manifestou severas críticas aos governantes que promovem conflitos armados, destinando grandes somas de dinheiro para guerras e deixando de lado investimentos em áreas essenciais como saúde, educação e reconstrução de comunidades. O pontífice classificou o cenário global como "devastado por alguns tiranos". Essas declarações ocorreram após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacá-lo novamente por meio de postagens em redes sociais.

 

Ao participar de um evento na principal cidade da região anglófona de Camarões, local marcado por uma disputa que se estende há quase dez anos e já resultou em milhares de vítimas, Leão XIV também se posicionou contra líderes que empregam argumentos religiosos para justificar ações militares. O papa, primeiro estadunidense a ocupar o cargo máximo da Igreja Católica, apelou por uma reorientação drástica das políticas mundiais.

 

“Os mestres da guerra fingem não saber que é preciso apenas um momento para destruir, mas muitas vezes uma vida inteira não é suficiente para reconstruir”, afirmou o pontífice durante o discurso.


 

Leão XIV ressaltou que consideráveis quantias em dólares são direcionadas para morte e destruição, enquanto recursos para promover cura, restauração e educação permanecem escassos em todo o mundo. A repercussão dos ataques virtuais de Trump ao papa, iniciados ainda na véspera da turnê que inclui quatro países africanos e repetidos na terça-feira, 14, provocou desconforto em diferentes nações do continente africano, onde residem mais de um quinto dos católicos do planeta.

 

No decorrer de seu primeiro ano à frente de uma comunidade de cerca de 1,4 bilhão de fiéis, Leão XIV manteve postura discreta, mas ganhou destaque recente ao se colocar publicamente contra a escalada de violência iniciada por ações militares de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.

 

No pronunciamento desta quinta-feira, o papa ampliou suas críticas aos dirigentes que utilizam elementos religiosos para legitimar conflitos armados.

 

“Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para seu próprio ganho militar, econômico e político, arrastando o que é sagrado para a escuridão e a sujeira”, declarou Leão XIV, reforçando sua posição.


 

O líder católico ressaltou ainda que essa inversão de valores representa uma distorção da criação divina e deve ser rejeitada por todos os que possuem consciência ética.

 

“É um mundo virado de cabeça para baixo, uma exploração da criação de Deus que deve ser denunciada e rejeitada por toda consciência honesta.”


 

No mês anterior, Leão XIV já havia abordado o tema ao dizer que Deus não atenderia às preces de autoridades cujas "mãos estão cheias de sangue", frase interpretada como recado ao secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, que utilizou termos cristãos para justificar a ofensiva bélica no Irã.

 

O embate público entre Trump e o papa se intensificou no último domingo, 12, quando o presidente norte-americano classificou Leão XIV como "fraco sobre crime e péssimo para a política externa" em publicação na Truth Social. Os ataques foram reiterados nas redes sociais na terça e quarta-feira. Entre as publicações, Trump compartilhou uma imagem em que aparece sendo abraçado por Jesus; dias antes, ele já havia divulgado uma montagem em que era retratado de modo semelhante à figura de Jesus, o que gerou ampla reação crítica.

 

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