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Santa Marta recebe reunião global sobre diminuição do uso de fósseis

Encontro reúne 60 países em busca de estratégias globais para transição energética

22/04/2026 às 19:16
Por: Redação

Santa Marta, na Colômbia, será palco a partir desta sexta-feira, dia 24, da 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, reunindo representantes de aproximadamente 60 países, além de governos locais, povos indígenas, comunidades tradicionais, organizações sociais, cientistas e diplomatas.

 

O encontro internacional foi concebido para produzir subsídios à elaboração de um documento estratégico: o Mapa do Caminho para uma transição energética global, que visa a redução progressiva da dependência de combustíveis fósseis no mundo.

 

Organizada pelos governos da Colômbia e da Holanda, a conferência propõe-se a ser um ambiente de diálogo horizontal e democrático, sem caráter negociador formal ou ligação direta com processos oficiais da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês). Segundo os organizadores, o evento não tem o propósito de substituir iniciativas formais de negociação internacional.

 

A programação da conferência está estruturada em três grandes eixos temáticos: superação da dependência econômica de combustíveis fósseis, transformação da oferta e demanda energética e promoção da cooperação internacional e diplomacia climática.

 

No evento, está prevista a formação de uma coalizão internacional de países dispostos a desenvolver, de modo concreto, ações transformadoras por meio da troca de experiências e implementação de políticas nacionais nas áreas financeira, fiscal e regulatória.

 

O cronograma inclui ainda a realização de diálogos setoriais, o lançamento de um Painel Científico dedicado à Transição Energética e uma assembleia de pessoas. O encerramento da Plenária Geral acontecerá nos dias 28 e 29 de abril, durante a Cúpula de líderes.

 

Estratégia brasileira impulsiona debate global

 

O Mapa do Caminho, iniciativa apresentada pelo Brasil em novembro de 2025 durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (Pará), é o principal instrumento em discussão. Na ocasião, embora não tenha havido consenso para incluir o tema no documento final da COP30, o Brasil conquistou o apoio de 80 países para desenvolver uma estratégia internacional para avançar na substituição dos combustíveis fósseis.

 

A entrega do Mapa do Caminho está programada para novembro, antes da COP31, prevista para ocorrer em Antália, na Turquia. A proposta encontra-se atualmente em fase de elaboração, com a presidência brasileira da COP avaliando as contribuições recebidas por meio de chamada pública internacional, encerrada em 10 de abril.

 

Passados cinco meses do lançamento, países que, juntos, possuem expressiva participação no mercado mundial de combustíveis fósseis, como Austrália, Canadá, México, Noruega e União Europeia, confirmaram interesse em manter o debate. Por outro lado, Estados Unidos, China e Índia comunicaram que não pretendem participar da iniciativa.

 

Participação social e demandas ambientais

 

Diversas organizações sociais brasileiras colaboraram com propostas para o Mapa do Caminho, incluindo povos indígenas e redes que representam centenas de instituições engajadas com a transição energética. Segundo avaliação de Ricardo Fujii, especialista em Conservação do WWF-Brasil, a delegação do Brasil chega à conferência em Santa Marta com potencial para exercer papel estratégico na formação de consensos e conversão de iniciativas internacionais em ações efetivas.

 

“Em um momento de instabilidade internacional, a liderança brasileira pode ajudar a articular esforços formais e informais, fortalecendo a cooperação climática e entregando respostas concretas para a sociedade”, afirma Fujii.

 

Organizações sociais também destacam a relevância da Colômbia sediar o evento, por se tratar de um dos países que integram o território da Amazônia. Mariana Andrade, coordenadora de Oceanos do Greenpeace Brasil, ressalta o simbolismo de a primeira conferência internacional sobre transição energética justa ser realizada na região amazônica, especialmente em um contexto em que projetos para exploração de petróleo na Foz do Amazonas levantam preocupações.

 

"Explorar petróleo e gás na Amazônia terá significativas consequências socioambientais locais e globais, já que o bioma é essencial para manter o equilíbrio climático do mundo. Em Santa Marta, esperamos que os países reforcem a urgência de barrar a expansão da indústria fóssil na Amazônia antes que os danos sejam irreversíveis", destaca Andrade.

 

Além da participação ativa de povos tradicionais, cientistas e agentes de diferentes setores, a conferência deve discutir mecanismos para troca de experiências sobre políticas financeiras, fiscais e regulatórias já implementadas em âmbito nacional, além de estimular novas formas de cooperação internacional para enfrentar a dependência global de combustíveis fósseis.

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