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Dólar recua para 4,95 reais e atinge menor cotação em dois anos

Mercado financeiro é impulsionado por capital estrangeiro, com real entre as moedas que mais se valorizaram em 2024

01/05/2026 às 18:29
Por: Redação

O encerramento do mês de abril foi marcado por euforia no mercado financeiro brasileiro, influenciado por fatores externos favoráveis e por uma postura considerada rígida no comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom). Neste contexto, o dólar sofreu forte queda, alcançando o menor nível em mais de dois anos.

 

Após seis sessões consecutivas de resultados negativos, a bolsa de valores apresentou alta, impulsionada pelo aumento do apetite global por ativos de risco, tendência que beneficia países emergentes, entre eles o Brasil.

 

Esse cenário mais positivo resultou em um fluxo expressivo de capital estrangeiro. Investidores realizaram vendas de dólares e apostaram em ativos locais, como ações, o que contribuiu para a valorização do real. O dólar comercial foi cotado ao final do pregão desta quinta-feira, dia 30, em 4,952 reais, representando uma queda de 0,049 real, equivalente a 0,99%. Este patamar de cotação não era registrado desde 7 de março de 2024.

 

No acumulado de abril, a moeda dos Estados Unidos teve desvalorização de 4,38% em relação ao real. Considerando o desempenho anual, a queda chega a 9,77%, colocando a moeda brasileira entre as que mais se valorizaram no período.

 

O movimento é reflexo, em parte, da redução da força do dólar em âmbito global, fenômeno também observado em outros mercados, além da realocação de investimentos para economias que oferecem taxas de juros mais atrativas.

 

No Brasil, mesmo após o início do ciclo de redução da taxa Selic, a taxa básica de juros permanece elevada. Na quarta-feira, dia 29, o Banco Central efetuou um corte, levando a Selic para 14,50% ao ano, mas indicou, através de comunicado, cautela em etapas futuras devido aos riscos de aumento da inflação.

 

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve optou por manter as taxas de juros entre 3,50% e 3,75%, ampliando o diferencial entre Brasil e Estados Unidos. Este diferencial é apontado como um dos principais motivos para a valorização do real, pois torna o mercado brasileiro mais atraente para investidores que buscam maiores rendimentos.

 

A cotação do euro comercial também apresentou queda significativa na mesma sessão, encerrando o dia em 5,811 reais, com retração de 0,48%. É o menor valor registrado desde 24 de junho de 2024.

 

Mercado acionário mostra recuperação após sequência de quedas

A quinta-feira foi marcada por movimento de recuperação no segmento de ações. O principal indicador do mercado, o índice Ibovespa, fechou aos 187.318 pontos, resultado positivo de 1,39%.

 

O desempenho foi favorecido tanto pelo ingresso de recursos estrangeiros quanto pela revisão das expectativas em relação à política monetária. Com a indicação do Copom de que cortes futuros na taxa Selic serão mais graduais, aumentou a confiança na estabilidade econômica, beneficiando o mercado de ações.

 

Apesar do resultado positivo no dia, o Ibovespa terminou abril praticamente estável, reflexo de uma sequência recente de quedas que anulou parte dos ganhos anteriores.

 

Além disso, investidores monitoraram indicadores econômicos e decisões políticas no cenário interno, embora o impacto dessas informações nos preços tenha sido limitado. Os indicadores do mercado de trabalho evidenciaram resiliência da economia brasileira, o que reforça a percepção de que não há espaço para cortes de juros mais agressivos em curto prazo.

 

Variação do petróleo permanece como fator de pressão nos mercados

As oscilações nos preços do petróleo continuaram a influenciar os mercados internacionais. A commodity, que possui cotação internacional, passou por um dia de intensa volatilidade, em função das tensões geopolíticas envolvendo nações do Oriente Médio.

 

Durante o pregão, os preços chegaram a superar os 120 dólares, mas perderam força ao longo do dia.

 

O barril de petróleo do tipo Brent, parâmetro usado pela Petrobras, encerrou as negociações cotado em 110,40 dólares, praticamente estável em relação ao fechamento anterior. Já o barril de WTI, negociado nos Estados Unidos, fechou em 105,07 dólares, representando queda de 1,69%.

 

As variações refletem incertezas sobre o fornecimento global de petróleo, principalmente diante das tensões entre Estados Unidos, Irã e Israel, além das restrições impostas no Estreito de Hormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte da commodity. Mesmo com quedas pontuais nos preços, o valor do petróleo permanece em patamar elevado, o que mantém pressão sobre a inflação global e influencia as decisões de política monetária em diversos países.

 

Com informações complementares da agência Reuters

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