A direção-geral da Polícia Federal decidiu cancelar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração norte-americano que estava lotado na sede do órgão em Brasília.
De acordo com a explicação da autoridade responsável, essa ação foi adotada como resposta direta à recente determinação do governo dos Estados Unidos, que exigiu a retirada do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, pertencente ao quadro da Polícia Federal, de território americano.
O procedimento foi confirmado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que esclareceu que a retirada das credenciais do agente norte-americano segue o princípio da reciprocidade diplomática. Durante participação em programa jornalístico, Andrei Rodrigues declarou:
"Eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade."
A assessoria de imprensa da Polícia Federal foi acionada para confirmar oficialmente a informação e também para fornecer detalhes sobre a substituição do delegado Marcelo Ivo pela delegada Tatiana Alves Torres, mas até a conclusão desta reportagem não havia retorno oficial do órgão.
Nesta semana, mais precisamente na segunda-feira, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos informou publicamente que havia solicitado a saída de um funcionário brasileiro, sem especificar nomes. O texto divulgado indica que o profissional é um delegado da Polícia Federal e que sua saída estaria relacionada à atuação no caso envolvendo a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem em território norte-americano.
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi preso na Flórida e permaneceu detido por dois dias, sendo liberado na quarta-feira anterior aos fatos relatados. No ano anterior, o Supremo Tribunal Federal havia condenado Ramagem a dezesseis anos de reclusão por participação em uma ação penal referente a uma tentativa de golpe.
Na terça-feira seguinte à solicitação feita pelos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou o episódio durante agenda oficial na Alemanha, ressaltando publicamente que a resposta brasileira estaria pautada pelo princípio da reciprocidade diplomática, em reação ao tratamento dispensado ao delegado brasileiro pelos norte-americanos.
“Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, afirmou Lula.