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Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj em sessão conturbada

O pleito, com voto aberto, contou com a ausência de oito partidos de oposição, que defendiam votação secreta por temerem pressões políticas.

17/04/2026 às 22:18
Por: Redação

O deputado estadual Douglas Ruas, filiado ao Partido Liberal (PL), foi proclamado presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) na manhã desta sexta-feira, dia 17. A votação ocorreu em uma sessão marcada por tentativas de obstrução, onde 44 dos 45 parlamentares presentes no plenário votaram a favor da eleição, registrando-se uma abstenção.

 

A eleição de Ruas foi contestada por uma frente de oposição composta por oito partidos: PSD, MDB, Podemos, PR, PSB, Cidadania, PCdoB e PSOL. Essas legendas optaram por não participar da sessão, manifestando desacordo com a condução do pleito por voto aberto. A principal argumentação era o risco de deputados sofrerem pressões e retaliações políticas, motivo pelo qual defendiam a adoção da votação secreta.

 

No total, 25 deputados estaduais não compareceram à votação. A única abstenção registrada foi a do deputado Jari Oliveira, do PSB. Apesar de pertencer à oposição, Oliveira participou da sessão de forma remota, mas seu voto foi direcionado exclusivamente para Dr. Deodalto, que foi eleito como 2º secretário da mesa diretora com 45 votos.

 

A intenção dos partidos de oposição de realizar uma votação secreta já havia sido rejeitada. Em uma decisão proferida na quinta-feira, dia 16, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) negou o pedido feito pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) para que a sessão seguisse esse formato.

 

Contexto da Liderança na Alerj

 

A posse de Douglas Ruas foi confirmada pelo deputado Guilherme Delaroli (PL), que estava no exercício da presidência da Casa. Delaroli assumiu o posto interinamente após o afastamento do então presidente Rodrigo Bacellar.

 

“Votaram 45 deputados, 44 votos sim e uma abstenção. Para a presidência, o meu irmão Douglas Ruas está eleito e empossado como presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Peço que o mesmo venha assumir a presidência”, disse o deputado Guilherme Delaroli (PL).

 

Rodrigo Bacellar havia sido detido anteriormente por suspeitas de vazar informações sigilosas relacionadas à Operação Unha e Carne, que investigava o ex-deputado estadual TH Joias por supostas ligações com a facção criminosa Comando Vermelho. Em 27 de março deste ano, Bacellar foi novamente preso pela Polícia Federal. Ele já havia sido detido em dezembro de 2025, mas foi liberado por uma decisão do plenário da Alerj.

 

Discurso e Compromissos de Douglas Ruas

 

Em seu primeiro discurso após assumir a presidência da Alerj, Douglas Ruas dirigiu críticas ao PSD e ao PDT, acusando-os de tentar impedir a votação aberta, que ele considerou um método mais democrático. O novo presidente destacou que o estado do Rio de Janeiro vivenciava um cenário sem precedentes nos últimos dias, com a interinidade nos três poderes.

 

“No governo do estado do Rio de Janeiro, também interinidade no Judiciário, tendo em vista que o presidente daquele poder [desembargador Ricardo Couto] está exercendo cargo de governador, e lá está a desembargadora [Suely Lopes Magalhães] de forma interina conduzindo aquele poder e também tínhamos uma interinidade no poder legislativo”, afirmou.

 

Ruas reafirmou seu compromisso de ser o presidente de todos os 70 deputados que compõem a Alerj. Ele expressou gratidão aos parlamentares que confiaram a ele essa "missão coletiva", construída, segundo ele, por meio do diálogo e da busca constante por soluções em benefício da população fluminense.

 

Anulação de Eleição Anterior

 

É importante ressaltar que Douglas Ruas já havia sido eleito para o cargo em uma votação anterior e rápida da Alerj. No entanto, essa eleição foi anulada por uma decisão da presidente em exercício do TJRJ. A anulação ocorreu porque o processo eleitoral só poderia ser deflagrado após a retotalização dos votos dos parlamentares pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), procedimento necessário após a cassação do mandato de Rodrigo Bacellar.

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